www.einstein.br
  Mapa do Site Página Inicial
Últimas Notícias
Entrevistas Relacionadas
Atualizações Científicas
Artigos Interessantes
Dúvidas mais frequentes
Qual o Mais Indicado?
Figura 1: Os bêbados na Inglaterra eram colocados em pelourinhos e seu nome era publicado nos jornais da cidade. Dependentes eram considerados vagabundos e imorais. Esse hábito durou até 1837.
A dependência de drogas passou a ser vista como uma doença há menos de duzentos anos. Até então apenas as complicações do consumo, tais como demência e surtos psicóticos despertavam a atenção dos médicos. Os bêbados eram considerados criaturas imorais, preguiçosos, vagabundos sem moral. Na Inglaterra, até 1837, aqueles que eram pegos alcoolizados eram colocados em pelourinhos na praça pública. Ficavam expostos ao ridículo para que todos admirassem a sua ruína. Como se não bastasse seu nome era publicado nos principais jornais da cidade. Beber em excesso era caso de polícia.

A partir de 1850 grandes estudos começaram a desvendar a questão da dependência de drogas. Houve enormes avanços. Já no início do século XX a dependência de drogas e os males que causava aos indivíduos eram melhor compreendido pelos médicos. No entanto, os tratamentos ainda eram precários. Os dependentes só recebiam atenção profissional quando já estavam bem graves, cheios de complicações. A internação por longos períodos era a única alternativa. Acreditava-se que os banhos aceleravam o processo de cura. Esses eram a principal técnica adotada pelos médicos.
Figura 2. Banhos aplicados em dependentes de álcool durante a transição para o século XX, na Inglaterra.


Desde então muita coisa mudou. Nos últimos trinta anos a dependência passou a ser vista como uma doença com sinais e sintomas específicos. Cada indivíduo tem um padrão de consumo diferente, que varia do consumo de baixo risco até a dependência. Portanto, há diferentes níveis de gravidade. Além disso, a motivação para a mudança também é diferente de pessoa para pessoa.

Os sintomas são os mesmos para qualquer indivíduo. No entanto, a intensidade dos sintomas e a visão que o dependente tem de seu problema são diferentes para cada um. Desse modo, não pode existir um único tratamento que sirva para todos. O tratamento mais indicado surge após algumas consultas, envolvendo a participação de todos: o dependente, sua família e a equipe multiprofissional responsável.

Algumas recomendações, no entanto, podem auxiliar aqueles que procuram a melhor alternativa terapêutica:
1. O tratamento ambulatorial é sempre o mais indicado. O tratamento ambulatorial é tão eficaz quanto qualquer outro tipo de tratamento. Examinando os critérios para o diagnóstico da dependência química, nota-se que essa é acima de tudo um estilo de vida. Quando o consumo de drogas se torna freqüente, o cérebro sofre modificações. A partir daí, o indivíduo começa a desenvolver novos padrões de comportamento, para que a droga nunca lhe falte. Mais do que garantir a abstinência, tratar a dependência é buscar com o dependente alternativas de vida. Isso só é conseguido se a pessoa permanecer em seu ambiente. Assim, poderá aprender a evitar situações de risco e encontrar outros modos de adaptação e diversão.
Figura 3: Estudo com 9.037 pacientes de várias cidades dos Estados Unidos. Eles foram divididos de acordo com a gravidade de sua dependência. Um grupo recebeu internação longa, outro grupo, internação breve e um terceiro, tratamento ambulatorial. Um ano após a alta, cerca de 50% dos dependentes graves, 70% dos moderados e 85% dos leves estavam abstinentes, não importando o tipo de tratamento escolhido.
2. A internação não é o tratamento, mas uma parte dele. A internação é uma opção de tratamento. Muitas pessoas, porém, imaginam que essa seja a melhor opção de tratamento. Acham, ainda, que a pessoa receberá alta curada. Nada disso é correto. A internação é apenas uma parte do tratamento. Idealmente deve ser usada com o propósito de desintoxicar o paciente. Quando ele não consegue se desintoxicar ambulatorialmente (geralmente porque a síndrome de abstinência é muito intensa), o melhor é interna-lo por duas a quatro semanas. Desse modo, seus sintomas podem ser medicados num ambiente onde a abstinência é garantida.
Figura 4: No gráfico acima, um grupo de pacientes foi tratado por seis meses. Durante esse período, 75% deles recaiu pelo menos uma vez. Após a alta, porém, nota-se que o número de abstinentes cresceu mês a mês, enquanto o número de usuários regulares e ocasionais, diminuiu.
De preferência isso deve ser feito com o consentimento do indivíduo.

A presença de complicações psiquiátricas pode requerer imediata. Assim, quando o consumo de drogas desencadeia quadros psicóticos, agitações intensas, comportamentos agressivos e suicidas, a internação torna-se a melhor opção, visando a proteger a integridade do indivíduo e daqueles que o cercam.

3. A recaída não significa o fracasso do tratamento. Muitos procuram tratamento após um longo período de consumo. O indivíduo já acumulou muitos problemas e a família está exausta e cheia de expectativas. Todos imaginam que iniciado o tratamento o indivíduo nunca mais usará drogas. Os estudos, no entanto, mostram que durante o primeiro ano de tratamento mais de 70% tem pelo menos uma recaída. Mas ao final de um ano, mais da metade não está usando droga. Isso mostra que a recaída faz parte do processo do tratamento. Não significa seu fracasso. É um momento de reflexão e aprendizado. Estudar os motivos da recaída fortalece o indivíduo e diminui a chance de novos episódios. Não é um momento para questionar a força de vontade do paciente, a competência da equipe ou o apoio da família. É o momento de refletir e reformular as estratégias, com o consentimento de todos os envolvidos.

O conteúdo deste site é de domínio público, os textos aqui contidos podem ser reproduzidos desde que as informações não sejam alteradas e a fonte seja citada adequadamente. Para citar a fonte, copie a linha abaixo:

Site Álcool e Drogas sem Distorção (www.einstein.br/alcooledrogas) / NEAD - Núcleo Einstein de Álcool e Drogas do Hospital Israelita Albert Einstein

Atenciosamente
Equipe Álcool e Drogas sem Distorção

Últimas Notícias
Entrevistas Relacionadas
Atualizações Científicas
Artigos Interessantes
Dúvidas mais frequentes
Política de Privacidade | © 2000/2009. Todos os direitos reservados.