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Escola

GUIA PRÁTICO PARA PROGRAMAS DE PREVENÇÃO DE DROGAS
MARINE MEYER

PSICÓLOGA DO PROGRAMA DE PREVENÇÃO AO USO INDEVIDO DE DROGAS DO HOSPITAL ALBERT EINSTEIN DEPARTAMENTO DE SAÚDE MENTAL DO HOSPITAL ALBERT EINSTEIN

2003. Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Hospital Albert Einstein.
É permitida a reprodução parcial ou total desde que citada a fonte.

Produção, distribuição e informações
Site “Álcool e Drogas sem Distorção”

Programa Einstein de Tratamento de Dependentes de Álcool e Drogas - PAD
Departamento de Saúde Mental do Hospital Albert Einstein

PREFÁCIO
O objetivo principal deste guia é o de instrumentalizar escolas a construírem e manterem um programa de prevenção ao uso de drogas inserido no cotidiano escolar. As informações contidas neste material são destinadas preferencialmente aos educadores e mais particularmente aos professores, pois os consideramos os agentes preventivos ideais em função do vinculo afetivo e educativo com os alunos.

SUMÁRIO

  • CONCEITOS FUNDAMENTAIS
    • O QUE É PREVENÇÃO AO USO DE DROGAS?
    • QUAIS OS NÍVEIS DE PREVENÇÃO AO USO DE DROGAS?
  • PROGRAMA DE PREVENÇÃO AO USO DE DROGAS
    • POR QUE FAZER PREVENÇÃO AO USO DE DROGAS EM ESCOLAS?
    • COMO AS AÇÕES PREVENTIVAS DEVEM SER ORGANIZADAS?
    • QUAIS SÃO OS PRINCIPAIS OBJETIVOS DA PREVENÇÃO AO USO DE DROGAS EM ESCOLAS
    • QUAIS SÃO AS ESTRATÉGIAS?
  • ETAPAS DE UM PROGRAMA DE PREVENÇÃO
    • DIAGNÓSTICO
    • DIFICULDADES INICIAIS
    • CAPACITAÇÃO PROFISSIONAL
    • ORGANIZAÇÃO DAS AÇÕES
    • AVALIAÇÃO DO PROGRAMA

CONCEITOS FUNDAMENTAIS

O QUE É PREVENÇÃO AO USO DE DROGAS?

Prevenção e repressão não são a mesma coisa. Elas supõem posturas diferentes porém complementares. · Prevenção consiste na redução da demanda do consumo de drogas. Neste caso, as ações têm como objetivo fornecer informações e educar os jovens a adotarem hábitos saudáveis e protetores em suas vidas. Espera-se que as pessoas diminuam ou parem de consumir drogas. · Repressão consiste na redução da oferta de drogas. As ações repressivas tem como objetivo dificultar o acesso as drogas como por exemplo: a legislação que proíbe o uso de algumas droga, ações policiais para prender traficantes e restrições ao consumo de álcool e tabaco para menores de 18 anos.
Ambos conceitos encontram-se presentes no cotidiano da escola: ao mesmo tempo que a escola faz campanhas educacionais antitabagistas, proíbe a todos (inclusive professores e funcionários) de fumarem na instituição.

A comunidade em ação:

PAIS
Podem trabalhar com outras pessoas na comunidade selecionando programas de prevenção de qualidade.

EDUCADORES
Podem incluir em sua grade curricular informação sobre drogas baseada em evidências científicas.

LÍDERES COMUNITÁRIOS
Auxiliar na escolha, desenvolvimento e aprimoramento de programas de prevenção para sua comunidade.
National Institute on Drug Abuse
www.nida.nih.gov


QUAIS OS NÍVEIS DE PREVENÇÃO AO USO DE DROGAS?

Existem três níveis de prevenção, cada um com os seus objetivos próprios:

A prevenção primária quer evitar ou retardar a experimentação do uso de drogas. Portanto, refere-se ao trabalho que é feito junto aos alunos que ainda não experimentaram, ou jovens que estão na idade em que costumeiramente se inicia o uso. A prevenção secundária tem como objetivo atingir as pessoas que já experimentaram e que fazem um uso ocasional de drogas, com intuito de evitar que o uso se torne nocivo, com possível evolução para dependeria. Na prevenção secundária o encaminhamento para especialistas também pode e muitas vezes é indicado como uma forma preventiva de evitar danos maiores a saúde. A prevenção terciária corresponde ao tratamento do uso nocivo ou da dependência. Portanto este tipo de atenção deve ser feita por um profissional de saúde, cabendo a escola identificar e encaminhar tais casos. Não é possível saber com antecedência quem irá ter maiores problemas com o uso de drogas. Portanto, é melhor prevenir do que remediar!

O Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (CEBRID) realizou entre 1987 - 1997 quatro levantamentos sobre o perfil do consumo de drogas entre estudantes. Os solventes foram as drogas que tiveram maior uso na vida, atrás apenas do tabaco e o álcool. Dentre as seis drogas mais utilizadas, três delas - maconha, anticolinérgicos e cocaína - tiveram um crescimento de uso na vida.
www.cebrid.epm.br

60%, 53 % e 40% dos jovens brasileiros entre 12 - 17 anos consideram muito fácil conseguir solventes, maconha e cocaína respectivamente.
www.cebrid.epm.br


POR QUE FAZER PREVENÇÃO AO USO DE DROGAS EM ESCOLAS?

A escola tem um papel fundamental no desenvolvimento sadio do adolescente e do adulto, pois contribui para a formação global do jovem e da sociedade. Qual a relação entre educação e prevenção? A prevenção ao uso de drogas é uma atitude a ser adquirida desde a infância e promovida durante toda a vida. Assim, o papel da escola na prevenção é educar crianças e jovens a buscarem e desenvolverem sua identidade e subjetividade, promover e integrar a educação intelectual e emocional, incentivar a cidadania e a responsabilidade social, bem como garantir que eles incorporem hábitos saudáveis no seu cotidiano. Trata-se de discutir o projeto de vida dos alunos e da sociedade, ao invés de dar ênfase às conseqüências como a doença e a drogadição por exemplo. Neste sentido, a prevenção é mais adequada quando discute o uso de drogas dentro de um contexto de saúde.

COMO AS AÇÕES PREVENTIVAS DEVEM SER ORGANIZADAS?

As ações preventivas podem ser inicialmente pontuais coordenadas por um membro da escola. Apesar desta não ser a situação ideal estas atitudes precisam ser incentivadas e valorizadas. Afinal, é a partir do interesse de alguns que programas de prevenção podem ser estruturado a longo prazo. Esta pessoa pode coordenar e mobilizar a comunidade escolar para a relevância do tema. No entanto, é o programa de prevenção o modelo que garante a continuidade das ações preventivas que são fundamentais para mudar o comportamento das pessoas sobre os riscos do uso de droga. O programa de prevenção precisa fazer parte do cotidiano, ser intensivo, precoce e duradouro, com tendência para envolver pais e comunidade em suas atividades. O programa ideal é aquele que é desenvolvido durante toda a escolaridade dos alunos.


AO USO DE DROGAS NAS ESCOLAS ALGUNS FATORES DE RISCO

Comportamento agressivo precoce
Falta de apoio familiar
Abuso de álcool, tabaco e outras drogas
Fácil acesso e permissividade pobreza

National Institute on Drug Abuse
www.nida.nih.gov


QUAIS SÃO OS PRINCIPAIS OBJETIVOS DA PREVENÇÃO AO USO DE DROGAS EM ESCOLAS?

Um programa de prevenção não pode ter como meta principal por fim a toda e qualquer ocorrência com drogas na escola ou propor que os usuários deixem de existir. É preciso tomar cuidado para não cair na armadilha de tentar banir as drogas da escola e da sociedade. Esta é uma empreitada impossível!
Portanto, o planejamento das atividades preventivas devem ter como meta diminuir a probabilidade do jovem envolverse de maneira indevida com o uso de drogas. Para isso, os programas de prevenção ao uso de drogas devem enfatizar a redução dos fatores de risco e ampliação dos fatores
de proteção.
Nem toda pessoa que experimenta ou usa uma droga se tornará um dependente químico. Por outro lado, todo dependente um dia experimentou uma droga. O grande problema é que não dá para saber com antecedência, entre as pessoas que começam a usar drogas, quais serão usuárias ocasionais e quais se tornarão dependentes. Para se fazer prevenção é preciso basear-se nos diversos padrões de uso de drogas. Não é em vão que a devem realizar um diagnóstico para verificar o tipo de usliteratura sugere que programas de prevenção o e quais as drogas consumidas por aquela comunidade, para então adequálos as necessidades reais da mesma.

QUAIS SÃO AS ESTRATÉGIAS?

Para fazer prevenção em escolas não é preciso reinventar a roda, já existem modelos de prevenção pesquisados e sugeridos para o trabalho. Estes correspondem ao leque de estratégias que podem ser usadas para planejar e realizar atividades preventivas. A literatura sugere que os programas de prevenção mesclem as diversas estratégias para garantir uma diversidade de ações obtendo assim melhores resultados na prevenção ao uso de drogas. A escolha adequada de um modelo de prevenção se dará em função de uma série de critérios, tais como: a filosofia da instituição, do tipo de atividade, da população alvo, do local e de seus recursos e, principalmente, das necessidades daquela população.
Vejam a seguir os principais modelos de prevenção sugeridos na literatura para desenvolver programas de prevenção ao uso indevido de drogas:

1. Modelo do amedrontamento
Este modelos baseia-se em fornecer informações que enfatizam as conseqüências negativas do uso de drogas de modo dramático. A prevenção ao uso de drogas nestes moldes tem pouca eficácia, pois muitas vezes o medo parece ser um argumento pouco convincente frente ao suposto prazer que o adolescente atribui ás drogas.

2. Educação para o conhecimento científico

Propõe o fornecimento de informações sobre drogas de modo imparcial e científico. A partir destas informações os jovens podem tomar decisões racionais e bem fundamentadas sobre as drogas. Contudo, também precisamos fazer uma ressalva na utilização deste modelo.
Informação em excesso e detalhista sobre os efeitos das diferentes drogas, também pode ter o efeito contrário do almejado: despertar a curiosidade e portanto induzir o uso de drogas. Lembramos que para prevenir o uso de drogas é preciso informar os jovens, mas também abordar e discutir o prazer que os jovens atribuem a mesma como uma forma de conscientizá-los e desmistificar algumas crenças e concepções a cerca dos efeitos do uso de drogas.

3. Treinamento para resistir
Busca desenvolver habilidades para resistir às pressões do grupo e da mídia para experimentação ou uso de drogas.
Para tanto, são desenvolvidos exercícios que treinam os jovens a recusar a droga oferecida.

4. Treinamento de Habilidades Pessoais e Sociais:
Este modelo entende que o ensino de habilidades e competências como um fator de proteção necessário para lidar melhor com as dificuldades da vida. Também procura desenvolver competências mais gerais, tais como lidar com a timidez ou como desenvolver amizades saudáveis.

5. Pressão de Grupo Positiva
Acredita que os próprios jovens podem liderar atividades de prevenção. Lideres naturais adolescentes são identificados e treinados por adultos para desenvolver ações preventivas.

6. Educação afetiva
Defende que jovens emocionalmente e psicologicamente saudáveis correm menos riscos de ter um uso problemático de substâncias psicoativas. Este modelo visa o desenvolvimento interpessoal dos jovens estimulando e valorizando a auto-estima, a capacidade de lidar com a ansiedade, a habilidade de decidir e relacionar-se em grupo.

7. Oferecimento de alternativas
Pretende oferecer alternativas interessantes e saudáveis ao uso de drogas, propiciando aos jovens possibilidades de lazer, prazer e crescimento pessoal. Exemplos dessas alternativas podem ser atividades profissionalizantes, esportivas, artísticas e culturais.

8. Modificação das condições de ensino
Sugere a modificação das práticas educacionais, a melhoria do ambiente escolar, o incentivo a responsabilidade social, o comprometimento da escola com a saúde dos seus alunos, o envolvimento dos pais em atividades curriculares, e a
inserção do tema no em sala de aula como atitudes importantes na prevenção ao uso de drogas.

A participação autônoma das partes envolvidas é fundamental para a implantação e desenvolvimento de estratégias de prevenção efetivas.
National Drug Framework of Australia
www.health.gov.au

9. Educação para a saúde:
Educar para uma vida saudável é a proposta central deste modelo. Assim, orientar para uma alimentação adequada, para atividades não propiciadoras de estresse, para uma vida sexual segura, para a prática de exercícios físicos, uso adequado de remédios e até para a escolha correta da pessoa que dirigirá o carro num passeio de grupo, compõem um currículo em que a orientação sobre os riscos do uso de tabaco, álcool e drogas também se faz presente. Muitas vezes são discutidos temas mais gerais, como meio ambiente, poluição e trânsito visando formar um estudante com consciência de algumas características problemáticas do mundo que o cerca e com capacidade de escolher uma vida mais saudável para si e sua comunidade.

ETAPAS DE UM PROGRAMA DE PREVENÇÃO
I. O DIAGNÓSTICO PRINCÍPIOS DA PREVENÇÃO

PRIMEIRO

Os programas de prevenção devem aumentar os fatores de proteção e reduzir os fatores de risco.

SEGUNDO
Os programas de prevenção devem abordar todos os tipos de droga e todas as formas de uso, incluindo o uso de drogas lícitas por menores de idade, de drogas ilícitas, bem como o uso inapropriado de substâncias obtidas legalmente, tais como os solventes e as drogas prescritas.

TERCEIRO
Os programas de prevenção devem estar adaptados as necessidades específicas de cada comunidade National Instute on Drug Abuse
www.nida.nih.gov

O DIAGNÓSTICO
O ponto de partida é “tirar uma fotografia da escola” o que no termo técnico significa realizar um diagnóstico. É preciso saber qual é a amplitude do problema na escola para poder solucioná-lo. Se as ocorrências com uso de drogas têm sido relacionados ao álcool e a maconha a prioridade não é desenvolver atividades voltadas para o uso de cocaína.
Assim o programa deve ser adaptado em função da A prevenção deve ser considerada realidade e das necessidades de cada escola. uma atividade de todo o dia. Já a intervenção deve ser direcionada a locais específicos onde as pessoas O diagnóstico visa a identificar :
vivem , trabalham e passeiam.

Swiss Federal Office of Public Health
www.suchtundaids.bag.admin.ch

-O público alvo do programa: incidência e prevalência do uso de drogas, características sócio-econômicas e demográficas, identificação dos grupos ou jovens com comportamento de risco.
-Tipos de drogas consumidas, freqüência e uso.
-Valores, atitudes e crenças a respeito das drogas e dos usuários.
-Levantamento das condições de ensino e da rotina escolar.
-Condução dos casos de alunos usuários ou dependentes.
-Informações sobre o tema da comunidade escolar.

Como fazer o diagnóstico:
Sugerimos essencialmente três etapas:

A. Pesquisa epidemiológica:
-Questionários anônimos e de auto preenchimento (padronizado pela Organização Mundial de Saúde). Os questionários visam a caracterizar a população, medir o uso de drogas desses alunos, seus conhecimentos e opiniões a respeito do tema. Este procedimento apresenta um grau de dificuldade alto para sua realização, pois exige o acompanhamento de técnicos e é custoso. A parceria com universidades ou instituições especializadas deve ser estudada e é aconselhada. Além disso, o uso deste instrumento exige cautela pois é comum um sentimento de perseguição dos alunos que podem não responder o questionário adequadamente por medo.

B. Levantamento do conhecimento sobre o tema:
-Elaboração de um roteiro de perguntas baseadas nas informações que se deseja obter. O mesmo deve ser rigorosamente planejado e estruturado para garantir a confiabilidade dos resultados e sua reaplicação.
-Atividade realizada com um grupo de no máximo 12 participantes. O grupo terá um coordenador e um observador (anota e grava a discussão). A partir das questões propostas pelo coordenador do grupo, os participantes irão expor e debater suas opiniões e conhecimentos sobre o tema.
-Pode ser aplicada em alunos, professores e pais.

C. Mapeamento da Instituição:
-Observação da rotina escolar (alunos e funcionários) e da proposta pedagógica da escola, para moldar as etapas do programa de prevenção ao funcionamento da escola.
-Avaliação do ambiente físico e arredores da escola: presença de bares e padarias próximos, a freqüência dos alunos a estes locais, opções de lazer no local.
-Levantamento de como a problemática das drogas é abordada na escola: modo de encaminhamento, tabagismo entre os professores e os alunos, o que acontece ao aluno quando é pego usando ou portando drogas na escola, venda de bebida alcóolica durante festas da escola.
-Avaliação de como as questões de saúde são abordadas na escola: medicação dos alunos, presença de “farmácia” na escola e seu responsável, se a escola mantém um registro do número de intercorrencias de saúde.
-Levantamento do número de ocorrências envolvendo drogas na escola.
-Levantamento de atividades preventivas que já foram desenvolvidas na escola para evitar a repetição das mesmas atividades e temas. Também é uma forma de detectar os conhecimentos preexistentes e já trabalhados pela escola com a comunidade.
-Levantamento dos recursos materiais, humanos e físicos disponíveis para a realização do programa.

ETAPAS DE UM PROGRAMA DE PREVENÇÃO
II. DIFICULDADES INICIAIS

Comunidades coesas e com qualidade de vida ficam menos vulneráveis aos efeitos do uso indevido de drogas. Drug Strategy - United Kingdom
www.drugs.gov.uk

Algumas das dificuldades iniciais para inserção do programa de prevenção na escola podem ser:

A. Tráfico de drogas na escola.
Trabalhar o tema indiretamente (no caso de escolas com tráfico intenso). Neste casos, a escola pode trabalhar com ações que despertem a cidadania e a responsabilidade social, ajudando os alunos a encontrarem soluções para os problemas de sua comunidade. Utilizar-se do modelo de educação afetiva desenvolvendo atividades com artes ou música que ajudam a melhorar a auto estima destes jovens.
Esta maneira de desenvolver o trabalho de prevenção é um excelente recurso para firmar parcerias com todos os setores da escola. Ele é educativo sendo portanto do interesse de toda a comunidade e do qual todos podem participar.

B. Falta de preparo técnico com relação ao tema e boicote ao trabalho.
A busca de informações científicas e confiáveis diminui a insegurança trazendo tranqüilidade e qualidade ao programa de prevenção ao uso de drogas.

C. Sentimento de desconfiança dos alunos com relação a uma postura repressora e acusatória da escola.
Como vimos na questão dois, a prevenção e repressão são muitas vezes confundidas. Portanto, o trabalho a ser realizado é similar ao mencionado no item A desta resposta. È preciso desenvolver atividades que mobilizem e interesse ao jovens. Além disso, é importante evitar criar um clima de acusação e identificação.

D. Falta de regras claras sobre o uso de drogas na escola.
Nenhum tipo de consumo de drogas deve ser permitido na escolas sejam elas lícitas ou ilícitas. Recomenda-se que o consumo de álcool (até para os adultos) seja evitado nas festas comemorativas da escola. Este é um excelente momento para se divertir sem se embriagar. Também é preciso prever e estabelecer um protocolo de medidas para alunos que são usuários ou forem pegos usando drogas dentro da escola.



ETAPAS DE UM PROGRAMA DE PREVENÇÃO
III. A CAPACITAÇÃO PROFISSIONAL

Todo o corpo educativo precisa ser capacitado para desenvolver o tema drogas em sala de aula e no cotidiano escolar. Esta é uma tarefa que requer tempo e investimento. A formação de um grupo representativo para coordenar e organizar o programa é a maneira ideal para iniciar as atividades preventivas. Esta estrutura agiliza a implementação do programa na escola. Posteriormente, seus membros podem transmitir os conhecimentos a todos na escola.

Composição ideal do Grupo de Multiplicadores:
-Ter cinco a seis pessoas para garantir maior comunicação e possibilidade de decisão. Um dos integrantes pode ser o coordenador do grupo.
-Participar voluntariamente do grupo e do programa. A situação ideal é que os dirigentes da escola não determinem quem irá compor o grupo de trabalho.
-Ter educadores da maioria das séries, disciplinas (exatas, humanas, línguas, artes e etc...) e áreas (direção ou coordenadores pedagógicos, professores e funcionários e etc...) da escola representadas no grupo.

Condições a serem oferecidas pela escola:
-Garantir horários fixos para reuniões de planejamento e para organização das atividades preventivas.
-Disponibilizar recursos materiais.
-Valorizar e apoiar o trabalho.
-Incentivar e promover a capacitação técnica dos professores sobre o tema.

CAPACITAÇÃO PROFISSIONAL

Segundo o Plan Nacional sobre Drogas (Espanha), os professores devem saber abordar o tema drogas no cotidiano da escola por meio de atividades curriculares e extracurriculares. Para isso devem estar devidamente capacitados, munidos de material didático e repertório para atividades, bem como conectados a profissionais especializados para encaminhamentos.
www.mir.es/pnd

CAPACITAÇÃO PROFISSIONAL

Formação do Grupo de Multiplicadores:
-Ter acesso a conhecimentos básicos sobre prevenção e drogas para, posteriormente, transmiti-los aos seus colegas.
-Contemplar aspectos teóricos mas também aspectos práticos envolvidos na prevenção ao uso de drogas.
-Promover dinâmicas de grupo para que aspectos afetivos e emocionais dos professores e funcionários sejam abordados de modo a prepará-los a trabalhar e reaplicarem esta dinâmica com alunos e pais.
-Participar de cursos e promover grupos de estudos bem com discussões pertinentes ao tema com a comunidade escolar.
-Definir as estratégias a serem utilizadas para abordar o tema na escola e em sala de aula.
-Planejar atividades preventivas para o ano letivo.
-Criar protocolos de avaliação.
-Formar um acervo de aulas, materiais, atividades, textos, livros, lista de filmes e de sites na Internet.

ETAPAS DE UM PROGRAMA DE PREVENÇÃO
IV. A ORGANIZAÇÃO DAS AÇÕES


Para a prevenção eficiente:

IDENTIFIQUE
CONSTRUA
DESENVOLVA
PROJETE
INCLUA

National Institute on Drug Abuse
www.nida.nih.gov

A partir das informações obtidas no diagnóstico e considerando os objetivos gerais do projeto é preciso organizar as atividade preventivas para que os problemas com uso de drogas sejam solucionados e abordados. Para tanto é preciso fazer um plano de trabalho. O planejamento deve contemplar a preparação de atividades preventivas para toda a comunidade escolar ( corpo educativo, pais e alunos). Este poderá ser anual ou semestral.
A escola deve ter um planejamento consistente para fazer um trabalho preventivo, mas deve também estar preparada para agir diante de situações imprevistas, e aproveitar todas as oportunidades possíveis para agir de forma positiva na formação de seus alunos.
Algumas dicas para a construção de um plano de trabalho -Que tipo de atividade deve ser realizada para reduzir ou evitar o consumo de drogas e favorecer os fatores de proteção?
-O que precisa ser feito para atender as necessidades levantadas no diagnóstico?
-Que atividades devem ser realizadas para que todos os setores da escola sejam atingidos pelo programa?
-Quem é o público alvo desta atividade?
-Qual a melhor estratégia para planejar esta atividade?
-Quantas atividades serão necessárias para atingir toda a população durante o ano?
-As atividades desenvolvidas precisam ser sistematicamente registradas e descritas para a realização da avaliação e reutilização.
-Ao menos uma vez por ano, deve haver uma avaliação das atividades realizadas e redefinição das metas para o ano seguinte.
Como trabalhar o tema na escola
As atividades preventivas têm maior impacto quando são dirigidas aos alunos e aos seus familiares e se toda a comunidade escolar estiver mobilizada. Elas devem abordar todas as formas de abuso de drogas, incluindo as legais e as ilegais, dando prioridade às mais consumidas naquela comunidade.
A continuidade das atividades preventivas pode ser garantida ao serem inseridas no programa pedagógico da escola através dos temas transversais, e nos eventos propostos pela escola como festas, assembléia ou reunião de pais. Datas comemorativas também podem ser um excelente recurso para o desenvolvimento de atividades preventivas, como por exemplo, o dia internacional de combate às drogas. O projeto
também pode criar e propor atividades preventivas extracurriculares como campeonatos esportivos ou palestras informativas.

ORGANIZAÇÃO DAS AÇÕES

Exemplos de atividades preventivas:

Professores e funcionários:
Criar um banco de aulas, atividades e dinâmicas reaplicáveis que abordem todas as drogas e os diferentes usos. Elaborar material didático: cartilhas e folhetos.

Pais:
Criar um canal de discussão e de parceria com os pais através de eventos específicos. Promover uma discussão sobre os fatores de risco e de proteção

Alunos:
Planejar projetos pedagógicos e culturais: exposições de pesquisas e trabalhos realizados. Discussão de algumas propagandas de álcool e medicamentos, por exemplo.

AVALIAÇÃO DO PROGRAMA

A avaliação é o processo para verificar se o programa de prevenção desenvolveu-se conforme os objetivos definidos e problemas levantados no diagnóstico inicial. Ela permite observar as dificuldades e facilidades encontradas durante a realização do trabalho e ajustar o programa para as
próximas etapas.
Para uma avaliação geral do programa sugerimos que sejam realizados três tipos de avaliação: da estrutura, dos processos e dos resultados do programa de prevenção.

Seguem algumas dicas para realizar as avaliações:
A avaliação do estrutura e do processo do projeto são formas de se verificar o desenvolvimento do programa. Para isso, é fundamental a elaboração de um instrumento de registro e de avaliação.

Seguem algumas questões a serem consideradas para as avaliações:

1. Desempenho e capacitação do Grupo de Multiplicadores.
2. Inserção do programa na escola: pais, alunos e educadores.
3. Metodologia utilizada (divulgação, estratégia de prevenção, comunicação com o público alvo...).
4. Qualidade das atividades preventivas.
5. O planejamento foi mantido e atingiu seus objetivos?
6. Os recursos disponíveis foram suficientes?

Seguem algumas estratégias para auxiliar a avaliação dos resultados:

1. Pré/Pós-testes
Desenvolvimento de questionários para medir a opinião dos alunos sobre as drogas e seus conhecimentos sobre o tema.
Aplica-se o teste antes e após a atividade preventiva. Depois se compara se houve alguma alteração no comportamento e no conhecimento dos sujeitos.

2. Número de ocorrências
Levantamento do número de ocorrências com drogas na escola durante o programa. O fato de elas aumentarem não significa necessariamente que o programa falhou. Este índice pode ser um indicativo de que o tema esta mais presente na escola e, as pessoas têm procurado maior apoio junto à escola. Portanto pode até ser positivo.

3. Número de intercorrencias de saúde
Levantamento do número de intercorrencias de saúde (faltas por doença, pedido de medicamentos e sua indicação) durante o ano escolar. Este pode ser um indicador de que o programa tem afetado o comportamento em relação a automedicação e a medicação sem orientação médica. Uma
redução deste número bem como uma atitude mais consciente no uso de medicamentos, pode ser um resultado positivo do trabalho realizado.

4. Número de casos
Levantamento do número de alunos encaminhados para profissionais de saúde por terem um comportamento abusivo ou de dependência de drogas. Verificação se este número aumentou, diminui ou manteve-se inalterado.

5. Inserção do programa na escola
Levantamento do número de intervenções realizadas pelo grupo de multiplicadores em parceria com os outros professores da escola. Pode se verificar se o grupo de multiplicadores atingiu seu propósito:

O programa de prevenção ao uso de drogas está inserido no cotidiano e no programa pedagógico da escola?
Os professores da escola têm tido autonomia para abordar o tema drogas em sala de aula? Quantas atividade desenvolveram?
Como os casos e os episódios de alunos envolvidos com drogas foram conduzidos na escola? Nota-se um maior preparo por parte dos professores e inspetores?

6. Aparticipação
Pretende quantificar o número de pessoas que o programa atingiu e, o número de atividades que cada indivíduo participou. A partir destes dados, verifica se o programa está alcançando toda a população inicialmente planejada. Para esta avaliação se faz necessário à elaboração de um instrumento de registro para que após cada atividade realizada durante o programa, estes fatores sejam medidos.

7. Pesquisas epidemiológicas
Consiste na reaplicação de questionários epidemiológicos (conforme explicado no item diagnostico) após pelo menos um ano de programa. Tem como objetivo verificar se houve alteração no conhecimento e no consumo de drogas com relação aos resultados obtidos na pesquisa durante o
diagnóstico. A realização deste tipo de avaliação implica em uma parceria com instituições de pesquisas especializadas.

8. Levantamento de opiniões e conhecimentos sobre o tema
Reutilização dos grupos realizados durante o diagnóstico. A composição do grupo e o roteiro de perguntas devem ser mantidos para verificar se houve alteração no discurso após a realização de atividades preventivas na escola. Deve ser feito no mínimo após um ano de programa.

A prevenção primária deve ser assumida como resposabilidade do conjunto da sociedade, dos poderes públicos, das instituições privadas, da comunidade escolar, das famílias, das empresas, dos meios de comunicação, numa competência partilhada.

Plano e Açõa Nacional de Luta contra as Drogas - Portugal
www.drogas.pt


O conteúdo deste site é de domínio público, os textos aqui contidos podem ser reproduzidos desde que as informações não sejam alteradas e a fonte seja citada adequadamente. Para citar a fonte, copie a linha abaixo:

Site Álcool e Drogas sem Distorção (www.einstein.br/alcooledrogas) / NEAD - Núcleo Einstein de Álcool e Drogas do Hospital Israelita Albert Einstein

Atenciosamente
Equipe Álcool e Drogas sem Distorção

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