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15/01/2009
O Problema também é delas

ARMADILHAS DO VÍCIO
Cresce número de mulheres que procuram ajuda contra o alcoolismo

O consumo excessivo de álcool não é um problema apenas de homens. Em 2007 a Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas (Uniad) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e a Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad) realizaram um levantamento que constatou que, entre as 3.007 mulheres pesquisadas em todo o País, 4% apresentaram dependência de álcool. Em Ribeirão Preto, a frequência de mulheres no grupo Alcoólicos Anônimos (AA) aumentou nos últimos meses.

Segundo o voluntário do AA José Rocha de Barros, um levantamento feito pelo grupo na cidade em 2008 mostrou que, em média, das 25 pessoas que participavam das reuniões, pelo menos seis eram mulheres. "São principalmente jovens que estão se conscientizando e procurando ajuda", conta Barros. Ele afirma também que o principal motivo para a entrada no vício, relatado pelas mulheres, é "o consumo social que acaba se tornando um vício difícil de ser controlado."

Para Arthur Guerra de Andrade, presidente do Centro Informação sobre Saúde e Álcool (Cisa), professor da Universidade de São Paulo (USP), psiquiatra e especialista em dependência química, é necessário realizar uma avaliação sobre os padrões de consumo, as regiões e populações que necessitam de maiores subsídios para enfrentar o consumo nocivo de álcool. "Medidas preventivas podem ser feitas através de campanhas de educação e conscientização próprias para cada público", afirma ele.

PREVENÇÃO. Em Ribeirão, o Programa de Ações Integradas para Prevenção e Atenção ao Uso de Álcool e Drogas na Comunidade (Pai-Pad), desenvolvido pela Faculdade de Medicina da USP-Ribeirão e o Hospital das Clínicas por meio de convênio com a Secretaria de Estado da Saúde, treina profissionais para identificar e prevenir o uso de álcool. Segundo Poliana Patrício Aliane, psicóloga e colaboradora do Pai-Pad, quando é detectado o problema, estas pessoas são estimuladas a ter auto-estima e "assim motivadas ao tratamento."

Andrade lembra também que, tanto em homens quanto em mulheres, a idade entre 18 e 24 anos tem maior prevalência de dependência e problemas relacionados ao uso do álcool. Entre os problemas físicos mais comuns, em mulheres, estão a doença hepática alcoólica, cirrose e hepatite. Já no aspecto social os prejuízos estão voltados para o relacionamento com a família e perda de produtividade no trabalho.

Além disso, as mulheres ficam mais suscetíveis a sofrer abusos sexuais, violência física e aumento da prática de sexo desprotegido. (GR)

AS PRINCIPAIS CAUSAS
Emancipação cultural da mulher nas últimas décadas contribui para o vício

Estudos divulgados pelo Cisa apontam que a emancipação sócio-cultural da mulher nas últimas décadas contribui para o aumento do uso de álcool por mulheres. No entanto, os problemas psicológicos também são apontados como facilitadores do vício. A dona-de-casa L.B, 59 anos, frequenta o Alcoólicos Anônimos, em Ribeirão, há 25 anos. A depressão levou L.B. ao vício. Ela conta que cada gole a fazia sentir melhor. "Mas com o tempo aquilo virou um vício despercebido. Cheguei lá em baixo sem saber que estava doente." L.B afirma que para as mulheres é mais difícil procurar ajuda. "É humilhante uma mulher alcoólatra. Nosso sofrimento é dobrado, a vergonha faz ficar mais difícil procurar tratamento." Poliana Patrício Aliane, psicóloga e colaboradora do Pai-Pad, conta que dentro do programa foi possível notar uma quantidade significativa de mulheres com uso de risco do álcool. "Notamos uma prevalência de 20% das gestantes nesta situação", afirma ela. Para Arthur Guerra de Andrade, presidente do Cisa, a presença de problemas emocionais em gestantes pode colaborar para o uso do álcool. Ele explica que este consumo pode trazer inúmeros problemas para a criança, incluindo diversos distúrbios emocionais. (GR)

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